08 fevereiro 2006

Carta maldosa

Querida M.,

Do fundo do meu malicioso coração, quero dar-te os parabéns por teres finalmente decidido perder a virgindade. Confesso que devo estar quase tão excitada quanto tu deves ter ficado!

Que me desculpem as pessoas virgens, mas quer-me parecer que ser virgem só é próprio até uma certa altura na vida. Passada essa altura, começa a ser uma violência contra a natureza e até um sinal de mau gosto. Há que ter sexo, nem que seja uma vez só para ver como é, para saber se se gosta. No entanto, e porque a primeira vez nem sempre corre bem, é bom poder repetir a experiência, porque ela tende a melhorar com o tempo e com a idade (ou, pelo menos, até uma certa idade...) e, se possível, fazê-lo com pessoas de ambos os sexos, para descobrir de qual se gosta mais. E se se gostar dos dois, não é caso para desesperar. Pelo contrário, até é melhor! Afinal, um cone de gelado com dois sabores é sempre melhor do que um apenas com um...ainda que tenha as duas bolas na mesma (bolas de gelado, entenda-se).

Quando se é virgem até tarde sem ser por opção (e esta história da "opção" daria pano para mangas ou, neste caso, para lençóis...), há uma energia que se vai acumulando ao fundo da espinha e que começa por trazer um certo desconforto, um formigueiro, que depois se vai adensando e nos transforma em pessoas tristes, murchas, inseguras de nós mesmas e desconfiadas em relação aos outros.

Pelo contrário, quando atingimos a plenitude neste campo (ou noutro qualquer), o cabelo brilha mais, a pele fica mais bonita e o sorriso torna-se mais fácil, porque as hormonas acalmam e os músculos estão mais tonificados. Ainda não te vi desde que deixaste de ser virgem, mas tenho a certeza de que é assim que estás: em estado de graça. Como dizia Eça de Queiróz, não há como uma maldadezinha para deixar a gente bonitas!

E depois, pensando bem, não há nada de vergonhoso ou maldoso no sexo. É natural, é uma necessidade básica como comer ou dormir, é essencial à reprodução da espécie e ainda por cima é bom de se fazer e dá para infindáveis variações, das quais só a imaginação e a libido são o limite (é assim como os Lego que recebíamos no Natal, lembras-te? Com as mesmas peças, pode-se construir um monte de coisas diferentes).

Que mais é que se pode pedir de uma só actividade?

Desejo-te o maior sucesso e espero que atrás do sexo chegue o amor, para tornar a coisa perfeita mas, enquanto não chega, diverte-te sem culpa.

Beijo grande (como diz um amigo meu, onde mais gostares, porque agora os horizontes já são em Cinemascope...),

S.

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