17 agosto 2004

Ele há noites assim...

Deitei-me por volta da meia noite. Poucos minutos passados, acordei sobressaltada por uns barulhos estranhos que vinham de perto da minha janela. Espreitei e vi um bêbado que vomitava a alma para o meio da rua, em frente à porta (fechada) do café (Memo: a próxima casa NÃO pode ser numa rua onde haja um café). Como o senhor estava acompanhado por dois comparsas que o olhavam e amparavam com ar compadecido, voltei a deitar-me.

Mal tinha fechado os olhos, eis que chega um grupo de jovens em pleno embaraço da puberdade - naquela fase terrível da mudança de voz, em que de cada vez que abrem a boca emitem sons que se assemelham ao som de milhares de garfos a roçar o fundo de outros tantos pratos de louça - que decide ficar na rua a conversar em voz alta, até que o sono lhes chegue. Claro que adolescentes em férias de verão levantam-se tarde e, como tal, não é provável que tenham sono às tantas da manhã. Assim fiquei acordada, a ouvir a surpreendente retórica dos jovens, recitada em tons graves que alternavam de forma estranha com agudos esganiçados cheios de hormonas aos pulos, ansiosas para sairem desencabrestadas à procura do mundo inteiro para o fecundar.

Olhei para a gata deitada ao meu lado. Dormia enrolada, completamente alheia à agitação na rua e suspirei "Ao menos isso!".

Devo ter fechado os olhos por mais uns minutos, embalada pela conversa dos mancebos, quando chega um carro em alta velocidade, com o rádio igualmente alto, a tocar uma música de batuque acelerado. O carro ficou algum tempo estacionado por baixo da minha janela, com as portas abertas e o rádio aos berros até que o meu vizinho do rés-do-chão resolveu entrar, batendo com a porta da rua para que todo o prédio percebesse que estava a chegar a casa (Memo: ligar a aparelhagem no próximo Sábado, a partir das 8 da manhã e encostar as colunas ao chão, na direcção do quarto da peste).

Entretanto o relógio já marcava 5 da manhã e a gata continuava a dormir impávida e serena. Virei-me e tentei adormecer. Minutos depois fui acordada por um nariz frio e húmido encostado à minha cara - a gata tinha acordado e queria brincar. Foi nesta altura que desisti de conseguir dormir. Será que hoje conseguirei?

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