08 janeiro 2007

(...)

Eu sei que, desde a morte do meu pai, falo demasiado em coisas tristes mas talvez tenha ficado mais sensível a essas tais coisas tristes que,de vez em quando de maneira mais ou menos directa, nos vêm bater à porta. Se calhar, eu também me tornei uma pessoa mais triste. Não sei nem importa agora, porque o que quero é assinalar a morte de uma colega, de uma pessoa boa, que tinha sempre um sorriso, sempre um gesto simpático, sempre uma palavra de ânimo para nos confortar.

Quando muitas coisas más acontecem a pessoas boas, pensamos que é injusto, como se alguém algum dia nos tivesse feito acreditar que existe uma dose certa de dor para cada pessoa e que as pessoas más merecem sofrer muito mais do que as boas, como uma espécie de castigo divino pelos actos de cada um. Não funciona assim, infelizmente. As piores coisas acontecem às melhores pessoas e vice-versa. A minha colega passou por um casamento complicado, onde a violência era uma constante. Passou recentemente pelo nascimento de uma neta,seguido, poucas horas depois, pela morte da nora. Desde essa altura, tomou conta da bebé e do filho e nunca mais os deixou até ser internada, uns dias antes do Natal, com um estranho "envenenamento" no sangue.

Morreu hoje de cancro. Uma doença que nunca se manifestara, de que ninguém suspeitava, muito menos ela própria.

Vai-me fazer falta o seu sorriso e, embora eu saiba por experiência própria que quem sobrevive encontra sempre uma maneira de ser feliz, mesmo que nunca mais seja tão feliz como era dantes, angustia-me pensar na bebé que tem poucos meses e que vai ter de crescer sem mãe e sem avó. Entristece-me imaginar que talvez ela nunca venha a sentir o amor incondicional.

Hoje é um dia triste.

1 Novas Memórias:

Blogger jacky escreveu...

Um beijinho

09/01/2007, 22:03:00  

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