25 março 2004

Para reflectir

A primeira coisa que eu queria fazer em Jerusalém era ir de imediato ao local do último atentado e era o que estava a fazer, andando depressa como se tivesse urgência em lá chegar. Foi fácil de encontrar. Um rés-do-chão de um edifício na rua Ben-Yehuda, já perto da rua Jaffa, totalmente esvaziado, cercado por traves de madeira. Não creio que fosse curiosidade minha. Nem solidariedade de qualquer espécie. Creio que foi só o motivo egoísta de combater o meu medo. (...) Pensei naquela tremenda violência. Tanto o que as autoridades israelitas chamam "bombas suicidas" como o que os palestinianos chamam "explosões sagradas" (o Corão proíbe expressamente o suicídio) indiciam o grau de desumanidade a que se chegou: nas duas designações, o mais importante, a pessoa, encontra-se ausente.

Pedro Paixão, Onze Noites em Jerusalém

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