27 julho 2004

Mundo instantâneo

Todo o homem é culpado do bem que não fez
(Voltaire)

Uma vez mais, a World Press Photo visita Portugal. Uma vez mais, vale a pena dar um salto ao Centro Cultural de Belém e ver com atenção, com os olhos, com a sensibilidade e, sobretudo, com o espírito crítico. De todas as edições de que me recordo, nenhuma era tão sombria quanto esta. Miséria, doença, fome, loucura, morte, guerra, todos os males que atormentam o mundo e os homens estão representados em fotografias, quadros de um quotidiano horrendo, mais ou menos distante no espaço, mas à proximidade de um “clique”, seja ele o da máquina fotográfica que dispara na altura certa, ou o do comando do televisor que nos serve os acontecimentos diariamente, quase em tempo real.

Impressionei-me várias vezes enquanto visitava a exposição. Pensei que pelo menos, ironicamente, nenhum continente estava ausente daquela galeria. Todos estavam (in)dignamente representados, ninguém precisa sentir inveja ou comiseração pelos outros.

Portugal lá está, representado em chamas como se vai tornando habitual. A culpa é do calor, teimam em dizer alguns. A culpa é do desprezo com que tratamos este país que é o nosso e este mundo em que vivemos.

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