10 janeiro 2007

Benção

Existe uma benção, fortemente disseminada na cidades devido à densidade populacional, designada pura e simplesmente por ... "Vizinhos".

Comprei a minha modesta habitação em 1999 e embora a tenha desde logo mobilado, só desde Julho ou Agosto do ano passado é que comecei a morar lá. Antes, passava na minha casa os fins de semana e regressava depois ao conforto da casa dos pais (cama, mesa, roupa lavada e passada... que mais se quer?) uma rua abaixo.

Nestes 8 anos, saíram três inquilinos e entraram outros tantos. Se em relação aos primeiros, nada há assinalar, estes últimos que vieram morar... para o meu lado, parecem que andam constantemente em mudanças...

Constituem aquele agregado familiar os seguintes elementos: um casal, uma criança e um puto de 26 anos com a mania que ainda é um adolescente com a franga aos saltos...

Desde arrastar móveis constantemente (sofrem todos das costas naquela casa); gritarem uns com os outros; música brasileira aos gritos num rádio ou algo com uma qualidade sonora semelhante (e não me refiro a Caetano Veloso ou Maria Bethânia, mas antes a Chitãozinho e Xororó e afins); fazer grelhados num grelhador eléctrico por cima do estendal das cordas para estender a roupa (este é engraçado de se ver... espero ardentemente que um dia, uma rajada de vento lhes derrube o jantar para o terraço do vizinho de baixo) e bater com a porta a qualquer hora (e como ao bater a porta, esta faz ricochete e não fecha... bate-se novamente até finalmente fechar).

O puto (irmão dela) então é um espectáculo... desde não ter qualquer cuidado em relação à sujidade na garagem (por vezes fica um verdadeiro rasto de lama desde a entrada até à box deles); já chegou a ter um garrafão com gasolina na garagem que deixou o ar da garagem quase irrespirável e até já levou amigos (de aparência muito duvidosa) para lavarem os carros na garagem...

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.


escreveu Fernando Pessoa... que não consta que tivesse filhos e que como todos sabemos era grande adepto da aguardente "Águia Real". As crianças só são o melhor do mundo quando estão longe. Acredito piamente que as crianças do Cazaquistão sejam as melhores do mundo. As portuguesas... deixam muito a desejar.

A criança da casa é tudo menos um amor... é uma peste!!! Deve ter uns 5 ou 6 anos e os seus passatempos favoritos (em qualquer hora) são: gritar com o pai, que lhe grita de volta e gera-se uma discussão aos gritos (exemplo paterno de excelente maturidade); gritar na escada e fazer birras (ui... que amorzinho); pontapear e esmurrar a porta da rua (ecoa por todo o prédio) e atirar brinquedos para o chão (as crianças são uns amores quando tentam provar que a lei da gravidade existe... principalmente de noite, com objectos metálicos e pesados).

É... sinto-me abençoado Deus.

1 Novas Memórias:

Anonymous Alegrão escreveu...

Pois, eu sei o que isso é... Já deves ter ouvido umas 50 duplas de Leandro e Leonardo, Xitó e Cócó, Lálá e Lilinha, etc... Felizmente já desapareceram da vizinhança...

11/01/2007, 01:12:00  

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