15 abril 2004

A hora realmente absurda

Com a devida vénia ao caríssimo Marquês, peço emprestado o título do seu palácio virtual para partilhar mais uma ideia que, desde ontem, me angustia. À tarde, resolvi limpar a minha caixa de correio virtual e, ao encontrar algumas mensagens que ainda não tinha lido, eis que me deparo com uma, de uma pseudo-amiga, com fotografias de um mau gosto extremo. Eram imagens de suicidas palestinianos depois da deflagração das bombas, assim, será mais correcto dizer que se tratava de imagens de pedaços de palestinianos que tinham assumido a missão de morrer em nome de qualquer coisa ou qualquer causa que, decerto, nem eles próprios saberiam bem qual é mas que, sem dúvida, não vale uma única vida. Insisto: há milhares de causas pelas quais de deve viver, mas nenhum pela qual se deva morrer.

Não tive coragem (leia-se estômago) para ver as fotografias até ao fim. Carreguei na tecla “delete”. Não percebi qual a mensagem por detrás da mensagem. Pessoalmente digo que não preciso ver os corpos dilacerados para saber que toda a guerra é injusta, ilegal, sem sentido. Poupem-me os pormenores sórdidos!

À noite, as televisões anunciavam a execução de um cidadão italiano por rebeldes iraquianos como forma de retaliação pela não retirada dos militares do Iraque. Dizia o locutor que a televisão Al-Jazeera tinha as imagens da execução mas que não iria divulgá-las. Imediatamente pensei que, não demorará muito tempo, até que elas cheguem à minha caixa de correio, até que corram o mundo através da realidade (virtual?) da Internet para satisfazer a curiosidade mórbida de alguns e a incredulidade de outros – e o terrorismo também se alimenta destas.

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