23 maio 2004

Vasco Graça Moura

Balada do bom cavaquista

que eu sempre fui bom cavaquista
nem é preciso repeti-lo:
anos depois já só se avista
tanto canário, tanto grilo,
tanto gorjeio, tanto trilo
que se de promessas se guarnece:
um mundo e outro, isto e aquilo,
e o povo tem o que merece.

vi engrossar de boyes a lista,
vi saltitar mais do esquilo,
de galho em galho ser artista, ,
e armar o estado em crocodilo.
voracidade? era do estilo.
economia? ai que arrefece!
vi Portugal vendido ao quilo
e o povo tem o que merece.

vi muito pássaro na pista
ja de asa murcha e intranquilo,
já sem alface nem alpista
e já sem grão dentro do silo,
secou a hora, chega o stress.
há vários anos que eu refilo,
e o povo tem o que merece.

senhor, na entrada deste asilo
mordeu-se a isca da benesse
e o povo tem o que merece.

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