23 maio 2007

Cabeça acima das núvens

Na passada 6ª feira e como o calor apertasse, decidi vestir uma coisinha mais leve para fazer frente à canícula. Mocinha prática que sou, achei que as alças do sutiã entravam em conflito com as da blusa e, aproveitando o (pouco) tempo que ainda me resta até que a força da gravidade exerça o seu domínio sobre o meu corpo, resolvi abdicar do referido assessório.

Erro crasso! Se, em casa, a blusa me parecia perfeitamente opaca, eis que, ao entrar no elevador me vejo, qual Victoria Beckham, com uma transparência inequívoca em partes da minha anatomia que, manda o decoro e as boas maneiras, devem andar bem cobertas…O que fazer? Voltar atrás não era uma opção, porque já estava atrasada. Assim, decidi espalhar a écharpe sobre a blusa (mais uma razão para gostar de écharpes!) e lá fui trabalhar, formosa mas não segura.

À hora de almoço zarpei em busca de um sutiã. Convém que se diga que trabalho no bairro de Alvalade, onde o comércio abunda. Pois tenho a comunicar que não consegui encontrar nada, zero, nicles, niente, népia! Ou simplesmente não havia sutiãs pretos, ou eram grandes demais, ou pequenos, ou estupidamente caros…enfim, senti-me um pouco como o príncipe da Cinderela, de sapatinho de cristal em riste pelo reino fora, sem encontrar a quem este servisse (será que se a Cinderela tivesse deixado para trás o sutiã em vez do sapato, o príncipe teria tido problema idêntico? Será que o dito não serviria em mamoca alguma excepto na da legítima proprietária?). Nem nas famosas lojas dos chineses consegui encontrar suporte mamário que me servisse…

E pronto, lá regressei ao trabalho e, apesar do calor, achei que seria de bom decoro vestir um casaco de malha por cima da famigerada blusa e, pelo sim pelo não, manter a écharpe…Não posso dizer que tenha aprendido a lição, até porque hoje trago uma saia curta com meias transparentes e pernas com pêlos de 2mm pelo menos, mas pronto, acho que outras pessoas que, como eu, também vivem sempre a uns quantos centímetros do chão me poderão compreender. Somos os anti-herois. Não conseguimos manter-nos penteados, engomados e sem nódoas durante um dia inteiro. Tropeçamos com frequência e perdemos as capas dos sapatos - às vezes também perdemos o sapato e só damos por isso alguns passos depois. Quando é preciso tirar alguma coisa da mala, encontramos tudo menos aquilo que queremos que só aparece quando o conteúdo da dita é, em desespero, despejado na totalidade. Não há compostura que se nos chegue nem aulas de etiqueta que nos valham, mas lá vamos andando, com a cabeça entre as orelhas, como diz a canção…pelo menos, por enquanto…

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