27 agosto 2004

Difícil

Ontem encontrei uma colega que já não via há algum tempo. Achei-a pálida e abatida e perguntei-lhe se já tinha tido férias. Respondeu-me que sim, mas que o ar cansado se devia ao facto de estar grávida e contou-me dos tratamentos que fez para engravidar, dos rios de dinheiro que tem gasto, do tempo que tem passado a ser observada, tocada, espicaçada e cortada, tudo na esperança de ter um filho. Disse-me que esta era a nona gravidez. Todas as outras tinham terminado em aborto. Estava cansada, assustada, saturada mas confiante de que desta vez iria consegui levar a gravidez até ao fim.

Depois - como se vem tornando inevitável desde há alguns anos - perguntou-me quando é que eu me decidia a ter filhos. Respondi que já me decidi, que ando a tratar do assunto e ela aconselhou-me a fazer exames para saber se está tudo operacional. Respondi-lhe que sim, que está tudo óptimo, simplesmente não aconteceu ainda. Disse-lhe que, se até aos 35 anos não conseguir ter um filho, tentarei adoptar (aliás, tenciono adoptar uma criança mesmo que consiga ter uma minha).

A resposta foi "Mas a adopção é tão difícil!". Isto vindo de uma mulher que, depois de tratamentos longos, caros e dolorosos já enfrentou 8 abortos dá que pensar. O que é que será mais difícil afinal? Ou será que há alguma coisa nesta vida que seja fácil?

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